Ensino » Artigos

Sapatilha de ponta

por Jeviane Dubois

Uma Breve História da Sapatilha de Ponta

O elemento mais associado hoje com o ballet, a SAPATILHA DE PONTA, surgiu no século XIX.

Na verdade, nunca saberemos quem foi a primeira bailarina a calçar a ponta. Os historiadores atuais citam diversas dançarinas, como Marie Del Caro e Fanny Elssler. Alguns artigos de críticos provam que a bailarina Geneviève Gosselin as praticava desde 1813. Segundo tradições não comprovadas, a russa Avdotia Istomina também as teria usado por volta da mesma época.

O que é certo é que MARIA TAGLIONI (uma bailarina italiana) fez das sapatilhas de ponta (confeccionadas por seu pai, o coreógrafo FILIPO TAGLIONI) o símbolo técnico máximo da história do ballet, em“ La Sylphide” que estreiou em 18 de março de 1832.

Requisitos para a Sapatilha de Ponta

Não são todos os que devem dançar na ponta! A decisão para começar o trabalho da ponta deve ser feita somente por um professor hábil e conhecedor do ballet. Os estudantes que sobem na ponta antes de estarem fisicamente preparados correm um grande risco, construindo maus hábitos que podem levar anos para serem corrigidos.

Mais sério ainda é o potencial para ferimentos ou os danos pertencentes à estrutura dos ossos ou dos músculos dos pés, além de grande desapontamento em vista do pouco progresso alcançado.

Para evitar esses problemas, um professor deve considerar diversos aspectos ao selecionar os estudantes que estão prontos para começar o trabalho da ponta:

Idade

Segundo diversos médicos e fisioterapeutas nenhum estudante deve subir nas pontas antes dos 11 anos. A pressão do peso do corpo no pé e nos dedos do pé, que ainda estão “macios” e em crescimento, pode causar a má formação dos ossos e das articulações.

Comportamento

O estudante deve ter um bom comportamento: prestar muita atenção nas aulas e trabalhar cuidadosamente as correções dadas por seu professor.

Estrutura Óssea

A estrutura do pé e do tornozelo do estudante é de grande importância. Um estudante cujos pés tenham flexibilidade insuficiente e cujo o arco do pé seja pequeno não conseguirá colocar o tornozelo em uma linha direta entre o joelho e os dedos do pé na ponta. O bailarino que não consegue ficar na ponta dessa maneira não deve iniciar tal trabalho. Porém, indo ao extremo oposto, um bailarino que tenha um tornozelo extremamente flexível e um arco do pé extremamente elevado necessitará de cuidados especiais e da orientação do professor com o olho bem atento. Este tipo de tornozelo é freqüentemente muito fraco e pode requerer ainda mais fortalecimento antes que o trabalho das pontas seja iniciado.

Físico

O físico individual do estudante deve ser avaliado com cuidado. Ele deve ter os músculos abdominais e gluteos fortes, o que cria um alinhamento apropriado, e deve mostrar o uso consistentes desses músculos dentro e fora das aulas de ballet. O tornozelo e os músculos do pé devem poder “prender” o pé inteiro no alinhamento apropriado. Deve se ter uma grande atenção para assegurar que os músculos ao redor do tornozelo estão treinados suficientemente para prendê-lo fortemente na posição correta.

Curiosidade

Hoje em dia, uma bailarina para dançar em ponta, usa sapatilha em que os dedos estão protegidos por camadas de cola alternadas por camadas de tecido. Pelo contrário, as bailarinas da época romântica, (época em que surgiu a sapatilha de ponta), usavam sapatos de dança com chumaços por dentro e um reforço por fora, para permitir uma melhor aderência ao solo. Dançavam, pois, em ponta, sem qualquer outra ajuda, tal como qualquer bailarina bem preparada teria obrigação de fazer, porque as sapatilhas de ponta não são mágicas, mas somente um auxiliar da dança. O segredo do exercício de pontas não reside na sapatilha e sim no corpo corretamente exercitado da executante!

Dicas

Estas são algumas dicas preciosas para pessoas que iniciarão o trabalho com sapatilhas de ponta em breve. Siga passo a passo as instruções, e muito dificilmente você vai se arrepender de subir nas pontas.